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Do Pampa a Paris: o design ancestral da Oiamo Atelier

À frente da marca, designer apresentou sua primeira exposição individual na galeria Brazil Modernist e novos desdobramentos da coleção Vento Pampo na Maison&Objet, durante a Paris Design Week 2026

Por Redação Publicado em 21 de setembro de 2026 Notícias 4 min de leitura
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Exposição “Terra Entre: Camadas de uma paisagem de fronteira”, de Tiago Braga, da Oiamo Atelier, na Brazil Modernist, em Paris. Foto LufeTorres

A relação com o sul do Brasil, a ideia de uma estética do frio e o design ancestral norteiam a pesquisa da marca Oiamo Atelier, que tem à frente o designer Tiago Braga. Suas origens, o imaginário e a cultura material presentes em cada criação moldam uma trajetória internacional construída com respeito ao tempo do fazer manual e ao seu próprio tempo. Em setembro, ele esteve em dose dupla em Paris: em sua primeira exposição individual na galeria Brazil Modernist, com visitação até 15 de outubro, e na Maison&Objet, ambas durante a Paris Design Week 2026.

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Tiago Braga junta a tecelãs. Foto Divulgação

O diretor criativo da Oiamo tem se dedicado especialmente à arte têxtil e ao desenvolvimento de peças que atualizam o imaginário gaúcho, em colaboração com coletivos de artesãs e artesãos. Em “Terra Entre: Camadas de uma paisagem de fronteira”, investiga imaginários e visões do extremo sul do Brasil por meio de uma instalação escultórica têxtil em lã, na qual luz, sombra, volume e textura constroem uma paisagem simbólica inspirada no território de fronteira. Entre os trabalhos apresentados estão as séries inéditas Vigília e Derivas, além de Vulto, Coxilhas e Hornero,  obras de diferentes momentos da trajetória selecionadas por sua afinidade conceitual com “Terra Entre”.

O artista utiliza lãs das raças ovinas Corriedale e Moura, provenientes de rebanhos originais do Pampa, obtida durante a tosquia anual, prática essencial ao bem-estar dos animais. A escolha dessa matéria-prima confere à lã uma dimensão simbólica, ao incorporar clima, território, modos de vida e memória. Sem tingimentos, preserva suas tonalidades naturais e conserva vestígios de sua origem.

A mostra inaugura o novo espaço da Brazil Modernist em Paris, um apartamento-galeria preservado desde os anos 1950 e marcado por uma história familiar ligada aos círculos artísticos e intelectuais da Paris do pós guerra,
incluindo a filósofa e escritora Simone de Beauvoir.

 

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Coxilhas, série limitada de relevos murais em
feltro. Foto Lufe Torres

Com Terra Entre, Tiago Braga e a Brazil Modernist dão continuidade a uma relação de representação construída em exposições e feiras europeias, ampliando a presença do designer e artista no circuito internacional.

Já para a Maison&Objet deste ano, levou novos desdobramentos de Vento Pampo, coleção apresentada pela primeira vez na feira internacional em 2025. A Oiamo integrou a exposição Brasil Nostalgic, promovida pela ApexBrasil, com curadoria do designer brasileiro Bruno Simões.

A pesquisa de Vento Pampo se desenvolve a partir das tapeçarias e almofadas em direção a novas configurações tridimensionais. A seleção reúne a luminária de piso Encruzilhada, a tapeçaria Oro e almofadas bordadas. Em diferentes escalas, o bordado percorre superfícies planas e volumes, aproximando arte têxtil, arquitetura e design de superfície e explorando as relações entre desenho, matéria, corpo e luz.

Oiamo Atelier

Idealizada em 2019 pelo artista, designer e pesquisador Tiago Braga, a Oiamo Atelier é um ateliê de criação nascido no Rio Grande do Sul a partir de uma mudança de rota e do interesse pela interseção entre inovação socioambiental e investigação das tradições culturais.

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Designer e artista Tiago Braga. Foto Lufe Torres

Natural de Osório, cidade litorânea cercada por lagoas, entre a serra e o mar, Tiago não se reconhece no estereótipo do gaúcho tradicional, historicamente associado ao homem do campo. Propõe uma compreensão mais fluida das identidades culturais e tem como referências o ambiente familiar, marcado pela avó costureira, pelo pai músico e pela mãe professora e artesã. Encontra ressonância no conceito de “modernidade líquida”, de Zygmunt Bauman, abordado pela antropóloga gaúcha Clarissa Ferreira no livro Gauchismo líquido.

Sua pesquisa investiga a cultura material, as paisagens e os imaginários de uma região marcada pelo frio, pelos ventos, por extensos territórios abertos e pelas culturas de fronteira. Sua prática situa-se entre arte, artesanato e design, com técnicas como tear, tricô, crochê, bordado, cestaria e marcenaria, revisitadas a partir de processos de experimentação e de uma leitura contemporânea da materialidade.

Em colaboração com coletivos, a Oiamo Atelier desenvolve peças colecionáveis, séries limitadas e obras únicas.

Formado em Comunicação Social, Tiago estabeleceu-se em Porto Alegre, onde iniciou sua atuação profissional como diretor de arte, designer gráfico e cenógrafo para grandes marcas. A pesquisa acadêmica em Design e Sustentabilidade marcou uma mudança em seu percurso.

Serviço

TERRA ENTRE: CAMADAS DE UMA PAISAGEM DE FRONTEIRA
Primeira exposição individual de Tiago Braga em Paris
Realização – Brazil Modernist
Exposição – 14 de setembro a 15 de outubro de 2026
Local – Brazil Modernist, 107 Rue de Vaugirard – 75006 Paris – França

Fonte: com assessoria de imprensa