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Conexões Lusófonas é o tema do 3º Festival Street Art Tour

Mais de 100 artistas participam do festival, entre brasileiros e nomes de países lusófonos como Angola, Portugal e Cabo Verde. A programação também reúne shows de Criolo, Amaro Freitas, Dino D'Santiago, Melly, Stefanie, Makalister e MC Versa

Por Redação Publicado em 25 de agosto de 2026 Notícias 7 min de leitura
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Projeção do mural “Anunciação” na empena do Museu Victor Meirelles, na noite de segunda-feira (17/08), dando início à pintura que abre a terceira edição do Street Art Tour. A obra, de Bernardo Dartagnan e Henrique Doss, revisita o legado do pintor catarinense Victor Meirelles. Foto Bárbara Branco

Projeção do mural “Anunciação” na empena do Museu Victor Meirelles, na noite de segunda-feira (17/08), dando início à pintura que abre a terceira edição do Street Art Tour. A obra, de Bernardo Dartagnan e Henrique Doss, revisita o legado do pintor catarinense Victor Meirelles. Foto Bárbara Branco

A cada edição, o Festival Street Art Tour transforma o cenário urbano de Florianópolis com obras de arte urbana em empenas e fachadas de edificações do Centro Histórico e de outros bairros. Em sua terceira edição, que acontece entre os dias 1º e 7 de setembro, o projeto amplia sua atuação para além da Capital e realiza seu primeiro mural em Blumenau.

Mais de 100 artistas participam da programação, entre catarinenses, nomes de outras regiões do Brasil e de países lusófonos como Angola, Portugal e Cabo Verde. A presença internacional dialoga com o tema desta edição, Conexões Lusófonas.

A programação acontece, em sua maior parte, na Arena do Largo da Alfândega e inclui torneio de crews, tour guiado, oficinas de arte, mercado de arte, exposições e shows de Criolo, Amaro Freitas, Dino D’Santiago, Melly, Stefanie, Makalister e MC Versa.

PLAYLIST DO FESTIVAL

 

Tour com o Guia Manezinho. Foto Tunai Arozi

É a partir desse encontro de referências que o Street Art Tour propõe discutir arte urbana, música e cidade. Florianópolis, marcada pela herança da imigração açoriana, presente na arquitetura, na pesca e nos modos de falar, também convive com as contradições de um Brasil contemporâneo desigual e marcado por disputas urbanas e culturais. É desse contexto que parte a edição deste ano. Mais do que representar bandeiras nacionais, os murais e shows do festival propõem um diálogo entre linguagens surgidas da rua, da mistura e do improviso.

Conexões Lusófonas

O tema propõe um olhar sobre a língua portuguesa como resultado de encontros, migrações, resistências e misturas culturais que permanecem vivas. Falado em países marcados pela colonização portuguesa, o idioma há muito deixou de pertencer apenas a Portugal. Cada território o reinventou à sua maneira, nas ruas de Luanda, nos becos do Rio de Janeiro, nos terreiros, nos slams, no rap crioulo de Cabo Verde, no samba, no funk, no kuduro e no graffiti que hoje circula entre continentes.

Nesta edição, mais de 100 artistas deixarão sua marca na cidade. Catarinenses dividem espaço com nomes de diversas regiões do Brasil e de países lusófonos como Angola, Portugal e Cabo Verde.

O festival aproxima arte e cidade por meio de murais que abordam questões como herança colonial, identidade periférica, ancestralidade africana, migração, memória e cultura popular contemporânea. Na música, a curadoria segue essa mesma lógica com ritmos como samba, funaná, afrobeat, rap crioulo, amapiano e fado dividem o mesmo palco, evidenciando como culturas conectadas pela língua produziram expressões bastante diferentes entre si.

Arturo Valle Junior, Rodrigo Rizo e Marina Tavares
Arturo Valle Junior, Rodrigo Rizo e Marina Tavares. Foto Divulgação

A escolha do tema Conexões Lusófonas nasceu de uma experiência pessoal do artista Rodrigo Rizo, curador do festival. Em 2024, ele participou de um intercâmbio artístico em Cabo Verde para integrar o festival de arte urbana SCAW, a convite das produtoras culturais portuguesas MGA e ORB Creative Lab, que desenvolvem projetos no contexto da Lusofonia em diálogo com a CPLP. Na mesma viagem, visitou Portugal pela primeira vez. A experiência ampliou sua percepção sobre as relações entre os territórios de língua portuguesa e sobre a diversidade cultural presente em cada um deles.

“Esse encontro me fez perceber que compartilhamos uma língua e muitos atravessamentos históricos, mas que existe uma diversidade cultural imensa entre esses territórios. Voltei dessa experiência com o desejo de aproximar essas diferentes realidades através da arte urbana”, explica Rizo.

Street Art Tour

O Street Art Tour surgiu da parceria entre o Studio de Ideias Produtora Cultural, dos sócios Arturo Valle Junior e Marina Tavares, e o artista urbano Rodrigo Rizo. Desde 2018, o projeto incentiva e realiza obras de arte urbana em diferentes pontos da cidade. Entre os trabalhos estão o mural em homenagem ao poeta Cruz e Sousa, de Rodrigo Rizo; “Viva Cidade Viva”, na Rua Felipe Schmidt, dos artistas Cris Pagnoncelli, do Paraná, e Tio Trampo, de Porto Alegre; “Eterna”, do Acidum Project; e “Fritz e Rosa”, do artista Ignore Por Favor.

foto- TUNAI AROZI
Festival Stree Art Tour. Foto Tunai Arozi

“Ao ocupar o espaço urbano, o festival em seu terceiro ano celebra a pluralidade da Lusofonia — nossa língua portuguesa como identidade e transformação. Reafirma a potência da arte urbana em Florianópolis, valorizando a cidade e unindo pessoas por meio de uma conexão transformadora entre arte, artistas e o espaço público. Mais do que um festival, este é o propósito que construímos para Florianópolis: ao abrir espaços para a arte, fortalecemos o pertencimento das pessoas com o espaço urbano e transformamos nossas áreas públicas em lugares vivos de encontro, cultura e conhecimento”, afirma Marina Tavares, coordenadora do Street Art Tour.

Para Arturo Valle Junior, coordenador do Street Art Tour, a proposta do festival é aproximar a arte de quem vive a cidade diariamente, transformando as ruas em espaços de encontro. A programação combina pinturas realizadas ao vivo, oficinas, conversas sobre arte urbana e passeios guiados, ampliando a experiência para além dos murais.

“A ideia do Street Art Tour sempre foi muito clara: fazer a arte conversar de verdade com quem vive a cidade no dia a dia, transformando nossos caminhos em uma grande galeria aberta para todo mundo”, afirma.

Para ele, a ocupação das ruas também cria novas possibilidades de relação com os espaços públicos. “Queremos que quem passe pela rua sinta que aquele espaço também é seu”, completa.

 O Festival Street Art Tour é viabilizado parcialmente pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, Lei nº 8.313/91, e também pela Lei nº 17.942, de 12 de maio de 2020. O evento conta com patrocínio de Armacell e Hennings, incentivo de Bistek Supermercados, Condor S/A e C.Pack e apoio de Tintas Coral, MTN, Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e Prefeitura Municipal de Florianópolis.

ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO AQUI

Exposições

LÍNGUA VIVA
Artista: Cris Pagnoncelli

Abertura: 2 de setembro, quarta-feira, às 19h
Local: Galeria Berlin – Rua Vitor Konder, 409, Centro
Visitação: terça a sábado, das 13h30 às 23h

Oficina: 4 de setembro
Informações: @streetarttourfloripa

 É APENAS O COMEÇO
Artista: Wagner Wagz
Curadoria: Kamilla Nunes

Abertura: 5 de setembro, sábado, às 10h
Local: Galeria Municipal Paulo Vichetti – Praça XV de Novembro, Centro
Visitação: 5 de setembro, das 10h às 16h

Pinturas murais

O Festival reúne uma série de intervenções artísticas em diferentes pontos de Florianópolis, ocupando espaços públicos, culturais e universitários com pinturas murais e ações coletivas:

  • Mural em homenagem ao artista Victor Meirelles
  • 03 murais no Centro de Florianópolis
  • 02 murais na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
  • Mural no Córrego Grande
  • Pintura Coletiva “Falando de Graffiti”, no Córrego Grande
  • Pintura Coletiva “Travessias”, no Estreito
  • Mural no Centro Cultural Anastácia, no Estreito
  • Galeria Viva, no Largo da Alfândega — pintura coletiva
  • Galeria de Arte da Marriquinha — pintura coletiva

Tour guiado

O Festival também promove o já conhecido Tour Guiado pelo Centro de Florianópolis, conduzido pelo guia manezinho Rodrigo Stupp. A atividade será realizada nos dias sábado, 05/09, e domingo, 06/09, com acesso gratuito. As informações sobre horários e pontos de encontro serão divulgadas no perfil oficial do evento.

Fonte: com assessoria de imprensa