Movimento é uma palavra que sempre acompanhou o ArqSC. Durante dez anos, o anuário impresso foi publicado por diferentes equipes. Nas quatro últimas edições, passou a adotar o nome ArqSC, unificando a publicação impressa, o portal e as ações presenciais sob uma mesma identidade.
Com a pandemia, as transformações que já vinham acontecendo na mídia impressa se aceleraram. O mercado mudou, os hábitos de leitura também, e o anuário deixou de circular. Era o momento de olhar para a nossa história, compreender o contexto e o que fazia sentido continuar.
Desde a sétima edição, já acompanhávamos com atenção as mudanças do setor e buscávamos construir um caminho coerente com aquilo em que acreditávamos. O anuário deixou de ser pensado apenas como uma publicação periódica anual para assumir uma condição mais atemporal: um objeto colecionável e um documento capaz de registrar seu tempo.
Essa construção se apoiava em dois eixos. De um lado, conteúdo analítico e autoral, com textos, ensaios e diferentes abordagens editoriais e artísticas, selecionados pela equipe e por um grupo de colaboradores. De outro, uma curadoria de projetos de arquitetura que ajudava a documentar parte da produção realizada em Santa Catarina.
A última edição, que marcou os 10 anos da publicação, o leitor teve em mãos uma edição memorável com temas para reflexão que traduzem o fazer contemporâneo com menos excesso e essência e convergência.
A própria materialidade da publicação passou a fazer parte dessa narrativa. Além da capa, a edição recebeu uma sobrecapa com uma obra da artista Juliana Hoffmann, um múltiplo pertencente a uma série, ainda inédita, sobre a casa. Arte, arquitetura e conteúdo passaram a ocupar o mesmo objeto.
A última publicação começou a ser construída antes de chegar ao papel. Em 2018, reunimos profissionais de diferentes áreas em uma oficina de criação para revisitar os anuários anteriores, analisar o percurso da publicação e pensar coletivamente os caminhos da edição comemorativa. O mapa visual apresentado nesta página nasceu daquele encontro e registra algo que talvez explique bem a trajetória do próprio ArqSC: a disposição para rever o que fazemos, mudar quando necessário e preservar aquilo que continua fazendo sentido.
O anuário deixou de circular, mas parte das questões que orientaram suas páginas permanece presente no ArqSC de hoje. Mudaram os suportes. A vontade de documentar, selecionar, relacionar ideias e construir memória continua.
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