Exposições de arquitetura são raras em Florianópolis. Eventualmente, temos notícia de uma mostra, na maioria das vezes com acesso restrito, em espaços privados ou institucionais com pouca visitação. Exposições públicas são, em geral, uma forma de fomentar o setor, contribuir para a formação de público e valorizar o patrimônio arquitetônico, entendendo a arquitetura como uma manifestação cultural. Em cartaz até 21 de agosto, no Terminal Rodoviário Rita Maria, a mostra “Modernos no Desterro – Arquitetura Moderna em Florianópolis (1943–1988)” traz uma oportunidade de conhecer mais de 60 projetos, resultado de quatro anos do Projeto de Pesquisa e Extensão Arquitetura Moderna em Florianópolis, coordenado pelo professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, Eduardo Westphal, com a participação dos arquitetos e pesquisadores João Serraglio e Leonardo Bertoldi e de mais de 30 alunos.


“Modernos no Desterro – Arquitetura Moderna em Florianópolis (1943–1988)” apresenta sete painéis A0, com desenhos, fotografias e maquetes, além de infográficos que situam as obras em seus contextos sócio-histórico e geográfico. A mostra integrou o Seminário Fronteiras do Patrimônio, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-SC) em parceria com o ArqUFSC, e fez parte da programação do Fórum Internacional de Patrimônio Arquitetônico Brasil-Portugal (FIPA).
A expografia foi desenvolvida pelo Ilha Arquitetos e o projeto gráfico pelo Coletivo 55, ambos formados por ex-alunos e participantes da pesquisa. A curadoria é assinada pelo professor Eduardo Westphal, pelo presidente do IAB-SC, João Serraglio, e pelo pesquisador Leonardo Bertoldi.
ARTIGO sobre a exposição DO PROFESSOR EDUARDO WESTPHAL
“Até o momento, a pesquisa catalogou mais de 140 projetos na cidade. Dos 60 selecionados para a exposição, 22 edifícios receberam uma atenção especial, com redesenhos e maquetes elaboradas a partir da pesquisa, trazendo ao público a oportunidade de compreender melhor algumas obras, fortalecendo a assimilação de uma identidade arquitetônica local, que nos permite alinhavar passado, presente e futuro”, afirma Westphal.
Essa exposição faz parte de um esforço de nomear essa arquitetura – sistematizá-la, elaborá-la e, assim, fundar o arquivo – gesto que possibilita transitar da inconsciência para o crivo crítico e o desenvolvimento de um novo repertório
“Partindo da provocação do professor Hugo Segawa, aqui a presença da arquitetura da modernidade salta aos olhos, mas está, ao mesmo tempo, ausente das consciências. É uma presença inconsciente, porque não elaborada. Elaborar significa repassar os episódios lentamente para poder compreendê-los, delimitar sua presença, e, assim, nomeá-los, permitindo que façam parte da história. A falta dessa elaboração faz com que, nas nossas escolas, as referências sigam sendo externas – da modernidade europeia ou da escola paulista – mesmo que exista um acervo visível na paisagem, sempre notado por quem aqui passa. Essa exposição faz parte de um esforço de nomear essa arquitetura – sistematizá-la, elaborá-la e, assim, fundar o arquivo – gesto que possibilita transitar da inconsciência para o crivo crítico e o desenvolvimento de um novo repertório”, defende Serraglio.
Pesquisa Arquitetura Moderna em Florianópolis
“A pesquisa consiste na catalogação e documentação de obras significativas da arquitetura moderna em Florianópolis, compreendendo projetos realizados entre 1943 e 1988. O processo de documentação inclui o redesenho das obras, atividade que vem sendo desenvolvida com a participação de diversos colaboradores, a maioria estudantes de graduação, cujos nomes constam nos créditos da exposição”, diz o professor do Depto ARQ-UFSC.
“Modernos no Desterro” ganha importância justamente ao colocar essa arquitetura diante do público, dar nome aos projetos, situá-los no tempo e permitir que sejam vistos também como parte da história cultural de Florianópolis.
O Projeto de Pesquisa e Extensão Arquitetura Moderna em Florianópolis tem como objetivo documentar e valorizar a arquitetura moderna na capital catarinense, contribuindo para a constituição de uma matriz projetual coerente e sistematizada e para sua difusão de forma ampla e acessível. O Ateliê Livre de Redesenho da Arquitetura Moderna é uma das iniciativas do projeto. A pesquisa ajuda a reconhecer uma produção arquitetônica que está presente na paisagem da cidade, mas ainda pouco conhecida e discutida. Uma exposição como “Modernos no Desterro” ganha importância justamente ao colocar essa arquitetura diante do público, dar nome aos projetos, situá-los no tempo e permitir que sejam vistos também como parte da história cultural de Florianópolis.

Serviço
“Modernos no Desterro – Arquitetura Moderna em Florianópolis (1943–1988)”
Data: até 21 de agosto
Local: Terminal Rodoviário Rita Maria – Avenida Paulo Fontes, 1101, Centro
Lista das obras documentadas na exposição
IAPC, 1953 – Arq. Hugo de Oliveira Lopes e Eng. Carlos Francisco Valente
Clube do Penhasco, 1954 – Arq. Valmy Bittencourt
Assembleia do Estado de Santa Catarina, 1957 – Arqs. Alfredo Paesani, Paulo Mendes da Rocha & Pedro Paulo de Melo Saraiva
Reitoria da UFSC, 1964 – Arqs. Fernando Gonzalez, Mazzini Canarim e Carlos Max Moreira Maia
Palácio da Justiça, 1966 – Arqs. Pedro Paulo de Melo Saraiva, Sami Bussab e Francisco Petracco
Fórum Eduardo Luz (antiga CELESC),1967 – Arq. Hans Broos
Escolas Modulares PREMEM-MEC, 1968 – Arqs. Plinio Croce, Roberto Aflalo e Gian Carlo Gasperini
Lagoa Iate Clube (LIC), 1969 – Arq. Oscar Niemeyer
TELESC, 1972 – Arqs. Moysés Liz e Odilon Monteiro
Banco Bamerindus, 1972 – Arq. José Maria Gandolfi
Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina, 1972 – Arq. Odilon Monteiro
Biblioteca Pública de Santa Catarina, 1973 – Arq. Moysés Liz
Casa Cassol, 1974 – Arq. Ademar Cassol e Arq. Carmem Cassol
Edifício Sede do IBAMA-SC, 1975 – Arqs. Antonio Filippini & Juares Gobbi
Edifício Ceisa Center, 1975 – Arqs. Moysés Liz, Ademar Cassol e Odilon Monteiro
ELETROSUL, 1976 – Arqs. L. Forte Netto, V. F. de Castro Neto, O. Busarello e Dilva S. Busarello
Terminal Rodoviário Rita Maria, 1977-1981 – Arqs. Enrique Brena Nadotti & Yamandú Carlevaro
Sede Portobello, 1981 – Arqs. Moysés Liz e Odilon Monteiro
Residência Pereira, 1982 – Arq. João Edmundo Bohn Neto
Banco Itaú, 1984 – Itauplan
CELESC, 1986 – Arqs. Odilon Monteiro, Moysés Liz e Henrique Brena
Abrigo Cassol – Arq. Ademar Cassol
Biblioteca Municipal Professor Barreiros Filho, 1988 – João Filgueiras Lima “Lelé”

Ficha Técnica
Curadoria: Eduardo Westphal, João Serraglio, Leonardo Bertoldi
Realização: UFSC, IAB-SC
Apoio: Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU-SC)
Projeto expográfico: Ilha Arquitetos / Arthur Santos de Andrade e Miguel Bittencourt Mincache
Projeto gráfico: Coletivo55 Arquitetura / Ana Luísa Schoenell, João Victor Ortiz, Julia Stopasolla Copat
Infográficos: João Serraglio
Textos: João Serraglio, Eduardo Westphal
Maquetes físicas: Eduardo Westphal
Design do verso dos painéis: Murilo Cremonese de Camargo Faller
Fotografias das maquetes: Débora Jank
Redesenhos: Amanda Baasch Back, Arthur Santos de Andrade, Beatrice Rudolph Mezzomo, Bruna Espíndola, Eduardo Westphal, Estela Camilo, Gabriela Pagnossin, Guilherme França de Lima, Igor José Medeiros, João Victor Ortiz, Julia Stopasolla Copat, Lucca Vinci Lucio, Lucas Guilherme dos Santos, Lucas Sabino Dias, Marcelo Regueira Dutra, Mariana de Abreu Pereira, Mateus Jeremias Rodrigues, Matheus Alvarenga, Matheus Porfirio Porto, Matheus Santos de Souza, Matheus Vieira da Silva, Mel Ramos da Rosa, Michelle Zimmermann, Miguel Bittencourt Mincache, Murilo Cremonese de Camargo Faller, Otávio Hüntemann Martendal, Pedro de Borba Flores, Piero Daboit Castagna, Sofia Campos Martins de Araújo, Verônica Bandini
Agradecimentos: Melissa Laus Mattos (Universidade Federal da Fronteira Sul), André de Lima, Guilherme Freitas Grad






































