A inquieta artista, curadora, pesquisadora, professora e articuladora Kamilla Nunes realiza um trabalho único em Florianópolis, agora também à frente da CAIS Escola de Artes, inaugurada recentemente no bairro Pantanal. Conheço a Kamilla há pelo menos 10 anos, quando participei da primeira edição do Grupo de Estudos e Práticas Artísticas, Políticas e Curatoriais, conduzido por ela e pela fera Mônica Hoff, no Instituto Arco-Íris, no nosso querido Centro Leste.

De lá para cá, Kamilla tem se desdobrado entre aulas, grupos de estudos e curadorias, levando seus alunos a ocupar diferentes espaços expositivos da cidade. Alguns são iniciantes no campo das artes visuais; outros, artistas com trajetória consolidada. Essa convivência entre experiências, gerações e perfis tão distintos sempre me chama a atenção. Em alguns momentos revela novos talentos; em outros, estabelece conexões inesperadas. A força do grupo está justamente nessa diversidade.
Agora vem aí mais uma exposição proposta pela curadora. “Traçar um lugar fora de si” ocupa o Memorial Meyer Filho, em Florianópolis, reunindo obras de 35 artistas. A abertura será no dia 7 de agosto, das 16h às 18h, junto com o lançamento do livro 88010-100, de Ana Carina Baron.
A mostra é um desdobramento do Grupo Impossibilidade de Esgotamento, que reúne participantes de diferentes regiões do Brasil em encontros presenciais e virtuais para investigar questões do campo das artes visuais. A partir das referências compartilhadas, cada integrante desenvolve leituras e processos autorais.
No sábado, 8 de agosto, das 9h às 11h, a exposição se expande para além do Memorial com intervenções artísticas no espaço urbano. O percurso passa pela Catedral Metropolitana, Praça XV de Novembro e Praça Fernando Machado, no Centro de Florianópolis.
Exposição tem caráter processual
A mostra reúne paisagens de bolso, bordados, frotagens, instalações, textos, livros, pinturas, placas e desenhos. A diversidade de técnicas, suportes e materialidades amplia as possibilidades de tocar, recolher, inscrever, transportar e transformar a paisagem, revelando diferentes formas de relação com o território e a experiência do lugar.
“Esta exposição parte do reconhecimento de que aquilo que chamamos de ‘si’ não se encontra inteiramente dentro. O sujeito se constitui na linguagem, no olhar de outras pessoas, nas marcas que recebe e nos lugares que habita. Em uma perspectiva psicanalítica, o que há de mais íntimo também pode se apresentar como exterior, estranho, situado fora de qualquer interioridade protegida. Traçar um lugar não significa, portanto, representar um território interior já conhecido, mas acompanhar a formação provisória de um sujeito que se faz em contato com aquilo que não controla e que, muitas vezes, não consegue nomear”, explica Kamilla Nunes sobre o conceito da exposição.
A exposição “Traçar um lugar fora de si” permanece em cartaz até 4 de setembro. O Memorial Meyer Filho conta com o apoio da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e da Prefeitura de Florianópolis.


Serviço
Exposição “Traçar um lugar fora de si”
Data: 7 de agosto
Horário: das 16h às 18h
Local: Memorial Meyer Filho (Praça XV de Novembro, 180 – Centro)
Visitação: até 04 de setembro
Intervenções urbanas
Data: 8 de agosto
Horário: das 9h às 11h
Percurso: Catedral Metropolitana, Praça XV de Novembro e Praça Fernando Machado, Centro de Florianópolis
*com informações de assessoria de imprensa






































