Num estado em que o discurso hegemônico reforça uma visão eurocêntrica de mundo, é bem-vinda a oportunidade de mostrar que Santa Catarina tem origem diversificada — indígena, negra, plural. O arquiteto e designer Jeferson Branco apresenta, na primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), um projeto que procura contrapor a essa narrativa. O evento, com foco em design de interiores, ocupa o Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), projetado por Oscar Niemeyer, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, até 30 de abril de 2026.
Selecionado para representar Santa Catarina a partir de um concurso nacional, Branco utiliza a representação espacial como metáfora: no teto, um grid de madeira remete ao enquadramento do estado e suas gentes em caixas e rótulos. No chão, liberdade: a arte e o design catarinense se distribuem organicamente pelo espaço, sem fronteiras rígidas. “Essa tensão entre o grid e a planta livre é o coração semântico do projeto”, defende.
Criativos catarinenses
O ambiente batizado de Pavilhão de Santa Catarina preserva o piso de concreto original, mantém os pilares aparentes e respeita os eixos visuais voltados para o entorno do Ibirapuera. Já as paredes recebem acabamento em argila natural, sem componentes químicos, enquanto o teto e o fechamento da cozinha têm painéis em tons amadeirados e avermelhados. Sobre essa base, Branco reuniu a potente produção dos criativos catarinenses, feita por profissionais de diferentes origens, formações e trajetórias. São mais de 70 nomes mapeados com apoio de pesquisa em design da jornalista Simone Bobsin, que em 2025 foi uma das curadoras da Exposição Catarinense de Design, na qual exibiu a produção de 27 estúdios, alguns presentes na seleção.
Entre os selecionados, há artistas e designers consagrados e emergentes, de trajetória internacional a jovens criadores – Juarez Machado, Walmor Corrêa, Jader Almeida, Juliana Pippi, Hostin Borges, Estúdio Prosa e Mitushi. Importante destacar a presença da Poltrona Afro Black, criação do designer negro Fabiano Simão; e o cubo central revestido com azulejos do artista Walmor Corrêa. A instalação retrata a fauna da Mata Atlântica catarinense, incluindo espécies de bromélias catalogadas pela primeira vez pelo Padre Raulino Reitz, biólogo radicado em Itajaí.

O paisagismo de Laura Rotter apresenta o projeto Jardim Bioma, fruto de sua pesquisa sobre o apagamento da flora nativa e o resgate de espécies da Mata Atlântica catarinense que historicamente não encontram espaço no paisagismo comercial. No home office do pavilhão, vidros com sementes e croquis botânicos da paisagista dialogam com a azulejaria de Walmor Corrêa e celebram o legado de padre Raulino Reitz. A produção do pavilhão é da arquiteta Gabi Almeida.

Sobre Jeferson Branco
Jeferson Branco é arquiteto, designer, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), cursou parte da formação na California Baptist University (EUA) e estagiou no estúdio D-Scheme Studio, em San Francisco. À frente do Jeferson Branco Arquitetura, com sede em Itajaí (SC), atua em todo o Brasil e tem presença internacional. O reconhecimento veio ainda na graduação, com o primeiro lugar geral no 22º Concurso Estudos Deca e a estreia na CASACOR SC 2018 com um projeto de banheiro sem gênero. Desde então, participou de diversas edições da mostra e, em 2025, integrou o elenco de 20 profissionais convidados para a Casa Dexco, no Conjunto Nacional, em São Paulo.
Suas coleções de design, como as luminárias Kûara, os tapetes Protozoa e as mesas Irupe, foram apresentadas na Maison&Objet de Paris e na Semana de Design de Milão. Atualmente cursa pós-graduação em Mercado e Comportamento no Século XXI na FAAP. Em 2024, foi Forbes Under 30, da Revista Forbes.
Ficha Técnica
Artistas e Designers: A. Terra Estúdio, Baruch, Beatriz Ricci, Bianca Barbieri, Bravio Studios, Edson Macalini, Elaya, Estúdio Prosa, Fabiano Simão, Gabriela Almeida, Giacomo Tomazzi,Gilberto Gomes, Guilherme Garcia, Hamilton Hadlich, Hostins Borges, IlustraBlack, Jader Almeida, Jean Tomedi, Jeferson Branco, Jesmynny Morais, Juarez Machado, Juliana Pippi, La Poltrona, Laura Rotter, Lilia Trizotto, Linda Martins, Luiz Rocha, Mitushi, Móveis Cimo, Nestor Júnior, Pita Camargo, Regina Sorbello, Richard Gohr, T44, Tapeçaria Italiana, Vanessa Paz, Waldir Júnior, Walmor Corrêa
Paisagismo: Laura Rotter (projeto Jardim Bioma)
Pesquisa curatorial: com colaboração da jornalista Simone Bobsin
Projeto de iluminação: Waldir Júnior
Patrocinadores: Colinas de Camboriú, FHaus, Altenburg Haus, Duratex, Avell, Arte em Madeira, Granisul
Sobre a Bienal
Apesar do nome, a Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) é uma mostra, principalmente, de design de interiores idealizada pelos fundadores da Archa — Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão, com a intenção de aproximar a arquitetura da vida cotidiana. A primeira edição apresenta pavilhões inspirados nos biomas brasileiros, concebidos por arquitetos de vários estados. Os projetos foram selecionados por meio de concurso organizado pela Archa – plataforma de contratação de projetos de arquitetura e decoração do Brasil, fundada em 2016 para conectar clientes a arquitetos e designers por meio de um processo 100% online.
São 28 ambientes distribuídos em pavilhões inspirados nos biomas brasileiros — Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal e a participação de marcas do segmento, reunindo fabricantes, arquitetos e consumidores. Entre as iniciativas oferecidas durante o evento, tem a loja oficial com linhas exclusivas assinadas pela Theodora Home; o restaurante Biomas assinado por Carlos Rayol; o café da Copa Energia, assinado por André Henning; e o Boteco Suvinil, assinado por Nicole Tomazi e Sergio Cabral.
MAIS SOBRE A BIENAL DE ARQUITETURA BRASILEIRA
Biomas Brasileiros
AMAZÔNIA
Acre | Marlúcia Cândida — Projeto Casa Empate
Pará | Studio Tuca — Projeto Caminho dos Rios
Rondônia | Thiago Marques Arquitetura — Projeto Casa Entre Águas
Roraima | Rayresson Rocha, Estúdio Modullus e Jacqueliny Ramires — Projeto Casa-território: onde o rio, o céu e o lavrado habitam
Fernanda Rubatino Arquitetura | Projeto Casa Terra para Sebastião Salgado
CAATINGA
Bahia | Vida de Vila — Projeto Casa do Mastro
Ceará | ARK Arquitetura e Interiores — Projeto É o Mar
Paraíba | Fabiano Lins Arquitetura — Projeto DO SERTÃO, ao verde e mar
Pernambuco | Thayná Padilha Arquitetura — Projeto Casa Pernambuco
Rio Grande do Norte | rodrarq — Projeto Casa de Veraneio
Sergipe | Mangaba Estúdio — Projeto Relicário de Voinha
Piauí | Black Arquitetos — Projeto Casa Dí Chico
CERRADO
Distrito Federal | Debaixo do Bloco Arquitetura – Moderno no Viver
Goiás | Bendito Traço Arquitetura — Projeto Casa de Amélia
Maranhão | Larissa Catossi e Guilherme Abreu — Raiz e Trânsito – Casa Pedro Neves
Minas Gerais | Marina Reis Arquitetura — Projeto Casa Adélia Prado
Tocantins | Marcus Garcia Arcteto — Projeto Casa da Arlê
MATA ATLÂNTICA
Espírito Santo | Letícia Finamore Arquitetura — Projeto Mulher Capixaba Contemporânea
Paraná | Boscardin Corsi — Projeto A Casa que Dança
Rio de Janeiro | Paula Martins Arquitetura — Projeto Casa Corcovado
Santa Catarina | Jeferson Branco — Projeto Pavilhão de Santa Catarina
São Paulo (Cidade) | Gabriel Rosa — Projeto Loft da Escritora
São Paulo (Estado) | Os Gêmeos Arquitetura e Engenharia — Projeto Tão Paulista quanto a Avenida
PAMPAS
Rio Grande do Sul | Studio Carbono + Matte Arquitetura — Projeto Querência Amada
PANTANAL
Mato Grosso | OHMA — Projeto Loft da Preservação Cuiabana
Mato Grosso do Sul | DNA – Deborah Nazareth Arquitetos — Projeto Casa Ñandejara
SERVIÇO
BAB — Bienal de Arquitetura Brasileira
Período: 25 de março a 30 de abril de 2026
Horário: 12h às 21h
Local: Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), Parque Ibirapuera, São Paulo
Entrada: Portão 03 — Av. Pedro Álvares Cabral
Site: www.bienaldearquiteturabrasileira.com
Fonte: com informações da assessoria de imprensa




































