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Pavilhão de Santa Catarina: o que não cabe no grid

Projeto de Jeferson Branco para a Bienal de Arquitetura Brasileira propõe reflexão sobre identidade, diversidade e os limites do discurso hegemônico

Por Redação Publicado em 10 de abril de 2026 Projetos 7 min de leitura
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Ambiente do arquiteto e designer Jeferson Branco para a primeira edição da mostra batizada de BAB - Bienal de Arquitetura Brasileira. Foto Denilson Machado

Num estado em que o discurso hegemônico reforça uma visão eurocêntrica de mundo, é bem-vinda a oportunidade de mostrar que Santa Catarina tem origem diversificada — indígena, negra, plural. O arquiteto e designer Jeferson Branco apresenta, na primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), um projeto que procura contrapor a essa narrativa. O evento, com foco em design de interiores, ocupa o Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), projetado por Oscar Niemeyer, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, até 30 de abril de 2026.

Selecionado para representar Santa Catarina a partir de um concurso nacional, Branco utiliza a representação espacial como metáfora: no teto, um grid de madeira remete ao enquadramento do estado e suas gentes em caixas e rótulos. No chão, liberdade: a arte e o design catarinense se distribuem organicamente pelo espaço, sem fronteiras rígidas. “Essa tensão entre o grid e a planta livre é o coração semântico do projeto”, defende.

Criativos catarinenses

O ambiente batizado de Pavilhão de Santa Catarina preserva o piso de concreto original, mantém os pilares aparentes e respeita os eixos visuais voltados para o entorno do Ibirapuera. Já as paredes recebem acabamento em argila natural, sem componentes químicos, enquanto o teto e o fechamento da cozinha têm painéis em tons amadeirados e avermelhados. Sobre essa base, Branco reuniu a potente produção dos criativos catarinenses, feita por profissionais de diferentes origens, formações e trajetórias. São mais de 70 nomes mapeados com apoio de pesquisa em design da jornalista Simone Bobsin, que em 2025 foi uma das curadoras da Exposição Catarinense de Design, na qual exibiu a produção de 27 estúdios, alguns presentes na seleção.

Entre os selecionados, há artistas e designers consagrados e emergentes, de trajetória internacional a jovens criadores – Juarez Machado, Walmor Corrêa, Jader Almeida, Juliana Pippi, Hostin Borges, Estúdio Prosa e Mitushi. Importante destacar a presença da Poltrona Afro Black, criação do designer negro Fabiano Simão; e o cubo central revestido com azulejos do artista Walmor Corrêa. A instalação retrata a fauna da Mata Atlântica catarinense, incluindo espécies de bromélias catalogadas pela primeira vez pelo Padre Raulino Reitz, biólogo radicado em Itajaí.

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O paisagismo de Laura Rotter apresenta o projeto Jardim Bioma, fruto de sua pesquisa sobre o apagamento da flora nativa e o resgate de espécies da Mata Atlântica catarinense que historicamente não encontram espaço no paisagismo comercial. No home office do pavilhão, vidros com sementes e croquis botânicos da paisagista dialogam com a azulejaria de Walmor Corrêa e celebram o legado de padre Raulino Reitz. A produção do pavilhão é da arquiteta Gabi Almeida.

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Arquiteto e designer Jeferson Branco

Sobre Jeferson Branco

Jeferson Branco é arquiteto, designer, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), cursou parte da formação na California Baptist University (EUA) e estagiou no estúdio D-Scheme Studio, em San Francisco. À frente do Jeferson Branco Arquitetura, com sede em Itajaí (SC), atua em todo o Brasil e tem presença internacional. O reconhecimento veio ainda na graduação, com o primeiro lugar geral no 22º Concurso Estudos Deca e a estreia na CASACOR SC 2018 com um projeto de banheiro sem gênero. Desde então, participou de diversas edições da mostra e, em 2025, integrou o elenco de 20 profissionais convidados para a Casa Dexco, no Conjunto Nacional, em São Paulo.

Suas coleções de design, como as luminárias Kûara, os tapetes Protozoa e as mesas Irupe, foram apresentadas na Maison&Objet de Paris e na Semana de Design de Milão. Atualmente cursa pós-graduação em Mercado e Comportamento no Século XXI na FAAP. Em 2024, foi Forbes Under 30, da Revista Forbes.

Ficha Técnica

Artistas e Designers: A. Terra Estúdio, Baruch, Beatriz Ricci, Bianca Barbieri, Bravio Studios, Edson Macalini, Elaya, Estúdio Prosa, Fabiano Simão, Gabriela Almeida, Giacomo Tomazzi,Gilberto Gomes, Guilherme Garcia, Hamilton Hadlich, Hostins Borges, IlustraBlack, Jader Almeida, Jean Tomedi, Jeferson Branco, Jesmynny Morais, Juarez Machado, Juliana Pippi, La Poltrona, Laura Rotter, Lilia Trizotto, Linda Martins, Luiz Rocha, Mitushi, Móveis Cimo, Nestor Júnior, Pita Camargo, Regina Sorbello, Richard Gohr, T44, Tapeçaria Italiana, Vanessa Paz, Waldir Júnior, Walmor Corrêa

Paisagismo: Laura Rotter (projeto Jardim Bioma)

Pesquisa curatorial: com colaboração da jornalista Simone Bobsin

Projeto de iluminação: Waldir Júnior

Patrocinadores: Colinas de Camboriú, FHaus, Altenburg Haus, Duratex, Avell, Arte em Madeira, Granisul

Sobre a Bienal

Apesar do nome, a Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) é uma mostra, principalmente, de design de interiores idealizada pelos fundadores da Archa — Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão, com a intenção de aproximar a arquitetura da vida cotidiana. A primeira edição apresenta pavilhões inspirados nos biomas brasileiros, concebidos por arquitetos de vários estados. Os projetos foram selecionados por meio de concurso organizado pela Archa – plataforma de contratação de projetos de arquitetura e decoração do Brasil, fundada em 2016 para conectar clientes a arquitetos e designers por meio de um processo 100% online.

São 28 ambientes distribuídos em pavilhões inspirados nos biomas brasileiros — Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal e a participação de marcas do segmento, reunindo fabricantes, arquitetos e consumidores. Entre as iniciativas oferecidas durante o evento, tem a loja oficial com linhas exclusivas assinadas pela Theodora Home; o restaurante Biomas assinado por Carlos Rayol; o café da Copa Energia, assinado por André Henning; e o Boteco Suvinil, assinado por Nicole Tomazi e Sergio Cabral.

MAIS SOBRE A BIENAL DE ARQUITETURA BRASILEIRA

Biomas Brasileiros

AMAZÔNIA

Acre | Marlúcia Cândida — Projeto Casa Empate

Pará | Studio Tuca — Projeto Caminho dos Rios

Rondônia | Thiago Marques Arquitetura — Projeto Casa Entre Águas

Roraima | Rayresson Rocha, Estúdio Modullus e Jacqueliny Ramires — Projeto Casa-território: onde o rio, o céu e o lavrado habitam

Fernanda Rubatino Arquitetura | Projeto Casa Terra para Sebastião Salgado

CAATINGA

Bahia | Vida de Vila — Projeto Casa do Mastro

Ceará | ARK Arquitetura e Interiores — Projeto É o Mar

Paraíba | Fabiano Lins Arquitetura — Projeto DO SERTÃO, ao verde e mar

Pernambuco | Thayná Padilha Arquitetura — Projeto Casa Pernambuco

Rio Grande do Norte | rodrarq — Projeto Casa de Veraneio

Sergipe | Mangaba Estúdio — Projeto Relicário de Voinha

Piauí | Black Arquitetos — Projeto Casa Dí Chico

CERRADO

Distrito Federal | Debaixo do Bloco Arquitetura – Moderno no Viver

Goiás | Bendito Traço Arquitetura — Projeto Casa de Amélia

Maranhão | Larissa Catossi e Guilherme Abreu — Raiz e Trânsito – Casa Pedro Neves

Minas Gerais | Marina Reis Arquitetura — Projeto Casa Adélia Prado

Tocantins | Marcus Garcia Arcteto — Projeto Casa da Arlê

MATA ATLÂNTICA

Espírito Santo | Letícia Finamore Arquitetura — Projeto Mulher Capixaba Contemporânea

Paraná | Boscardin Corsi — Projeto A Casa que Dança

Rio de Janeiro | Paula Martins Arquitetura — Projeto Casa Corcovado

Santa Catarina | Jeferson Branco — Projeto Pavilhão de Santa Catarina

São Paulo (Cidade) | Gabriel Rosa — Projeto Loft da Escritora

São Paulo (Estado) | Os Gêmeos Arquitetura e Engenharia — Projeto Tão Paulista quanto a Avenida

PAMPAS

Rio Grande do Sul | Studio Carbono + Matte Arquitetura — Projeto Querência Amada

PANTANAL

Mato Grosso | OHMA — Projeto Loft da Preservação Cuiabana

Mato Grosso do Sul | DNA – Deborah Nazareth Arquitetos — Projeto Casa Ñandejara

SERVIÇO

BAB — Bienal de Arquitetura Brasileira

Período: 25 de março a 30 de abril de 2026

Horário: 12h às 21h

Local: Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), Parque Ibirapuera, São Paulo

Entrada: Portão 03 — Av. Pedro Álvares Cabral

Site: www.bienaldearquiteturabrasileira.com

 

Fonte: com informações da assessoria de imprensa