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Paulo Gaiad: Narrativas por vir

Curadoria Thays Tonin escreve sobre a exposição “Paisagens Gaiadianas I” que acontece na Helena Fretta Galeria de Arte.

Por Thays Tonin Publicado em 25 de julho de 2021 #criadorcatarinense 2 min de leitura
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Sem título, 1993, técnica mista sobre papel, Paulo Gaiad.

Sem título, 1993, técnica mista sobre papel, Paulo Gaiad.

Paulo Gaiad viveu e trabalhou em Florianópolis desde 1981, cidade da qual dissera ser seu lugar no mundo, onde sua alma nasceu. Desde quando estabelecido na ilha de Desterro, porém, Gaiad nunca deixou de ser um inquieto residente e um constante viajante, das quais suas obras são registros de uma vida entre idas e vindas pelo mundo.

Não será somente intuição de quem adentra esta exposição que as cenas e cenários sejam, não só, realidades em si, mas também memórias, experiências estéticas de um recém-chegado, de um olhar ainda estrangeiro, entusiasta às cidades que habita. Estes registros visuais fazem emergir um Paulo atravessado pela experiência como arquiteto, que flana sob as cidades e praias, redesenhando com o grafite alguns esboços, plantas e outros estudos urbanos. Tal Paulo, interessado pela arquitetura moderna, parece também ter chego à ilha de desterro, e ainda que a profissão tenha sido parte do que o artista deixa em São Paulo, se faz visível a linguagem da estrutura, do projeto arquitetônico, o cinza do cimento e os traços informalistas como parte do gesto e processo do artista.

Vemos, portanto, páginas de uma vida, mas também paletas de cores e inventários de formas, séries de obras provindas de seu repertório de estudos, onde memória e imaginação aproximam as formas em recomposições heteróclitas.

Esta primeira fase, delineada a partir dos registros documentais e artísticos encontrados na casa do artista, propõe transparecer ao menos duas contribuições acerca da arte de Paulo Gaiad: de início, que há tantos Paulos e obras quanto há pessoas para narrá-los; e, ainda, que há em suas obras uma arte Arconte. Suas imagens seguem o princípio da arquia – são imagens “arcônticas”*- isto é, ver emergir da arte a função do Arconte, como senhora e serva da memória, resguardando, criando, destruindo ou re-embaralhando percepções.

*DERRIDA, J. Mal d’Archive. Éd. Galilée, 1995.

** Thays Tonin – Professora no Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). PhD pela Università degli Studi della Basilicata (Itália). Pós-doutorado em Artes Visuais, na Linha de Teoria e História das Artes Visuais – PPGAV/UDESC. (contato: toninthays@gmail.com)

acesse as obras da exposição

 

obra-Paulo-Gaiad
Sem título, 1994, técnica mista sobre eucatex, Paulo Gaiad.

Serviço

O que: Paisagens Gaiadianas I

Quando: de 22 de julho a 21 de agosto de 2021

Local: Helena Fretta Galeria de Arte

Visitação: de seg. a sexta das 10hs às 18:30h e sábados das 09hs às 13h.

Rua Presidente Coutinho, 532 Centro – Florianópolis

Contato: (48) 3028-2345/ 98408-234