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“Irredutível Ruído” condensa processo artístico de Letícia Cardoso

Exposição curada por Thays Tonin abre dia 10 de junho em novo espaço no subsolo da Helena Fretta Galeria de Arte.

Por Redação Publicado em 8 de junho de 2022 Notícias 3 min de leitura
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“Irredutível Ruído” , exposição de Letícia Cardoso.

“Irredutível Ruído” é a exposição da artista Letícia Cardoso que abre dia 10, às 18h, no novo espaço da Helena Fretta Galeria de Arte, em Florianópolis. A curadoria é de Thays Tonin, que compartilhou com o Portal o texto curatorial sobre a mostra.

A exposição condensa um processo artístico que iniciou por volta de sete anos atrás a partir de experiências da artista com arte-performance para o Museu Victor Meirelles, em 2015, o espaço O Sítio, em 2017, e o Sobrado na Ladeira, em 2018. Os quatro anos de pesquisa de Doutorado em Artes Visuais pela UDESC abordando as relações entre arte e psicanálise em suas pinturas e ainda os sonhos como processos de criação artística fundamentam sua produção.

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Artista Letícia Cardoso.

O espaço expositivo será protagonista de novas experiências visuais e sensoriais aos visitantes.  Além da mostra, a equipe convida os interessados a participarem do curso gratuito oferecido pela artista aos sábados (11/06, 18/06 e 25/06), sempre às 11h, acerca das relações entre Artes, Sonhos e Psicanálise.

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exposição-leticia-cardosoServiço

Dia 10/06, às 18:00h

Helena Fretta Galeria de Arte (Rua Presidente Coutinho, 532, andar inferior).

 

 

 

 

Texto Curatorial

Qual a origem dos sonhos? Quais sentidos nossas memórias criam e recriam quando sonhamos? São estas, talvez, conversas erráticas com outras versões de nós mesmos? O sonho é deriva, é rasura. É rumor que insiste em querer se fazer escutar. Leticia Cardoso se propôs então a ouvir os sonhos, a aceitar o ruído, a
escutar o caráter inesgotável do murmúrio da memória, em uma ‘conversa infinita’, como escreve Blanchot.

É daí que decorre os quase sete anos explorando seus sonhos como fonte artística, como espaço de
criação. Assim, durante sua residência artística no Sobrado na Ladeira*, Leticia se deixa ouvir não só as conversas que têm consigo mesma, mas, antes, outras memórias que a casa do século XIX salvaguardava. Entre antigas fotografias, baús de documentos e paredes rasuradas, Leticia faz surgir histórias de mulheres (reais? simbólicas?)
que habitaram o Sobrado no século XX – visto que parte de suas vidas fora vivida neste antigo Sanatório para mulheres ‘afetadas intensamente por suas paixões’. Logo, Leticia dá vida a duas personagens: a paciente Rosa e a “histeria” de seus sonhos sujos e a analista, a Ruinóloga Visual – o outro feminino performado no século XXI.

Os resultados dessas conversas consigo mesma são obras carregadas de sonhos, de histórias sendo escritas, rasuradas e reescritas. Transfigurando um novo arquivo de história da arte, estas mulheres (Letícia, Rosa, Ruinóloga) escrevem e pintam, finalmente, suas narrativas e afetações. Palavras se sobrepõem às imagens e
vice-versa, em uma exposição que nos faz ponderar acerca dos ruídos das memórias em nós.  Leticia dá vida a várias personagens que apesar de separadas pelo tempo, conversam pelos sonhos. O que decorre destes diálogos é carregado deste “irredutível ruído” que se faz presente no gesto artístico, na criação.
É, portanto, adentrando este rumoroso arquivo de diferentes processos artísticos que a exposição
nos conduz, sala a sala, oferecendo a seus/suas visitantes a possibilidade de imaginar como sonharam e sonham as mulheres do século XIX, XX e XXI, e como compartilhamos, tal como um ruído ao fundo, fantasias e afetações.

*Sobrado na Ladeira é uma casa localizada na Lagoa da Conceição, em Florianópolis/SC, onde artistas são convidadas/os para propor residências artísticas.