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Exposição Infiltração convoca o público a experimentar a cidade com outros olhos

Depois da primeira edição em Laguna, a ação do Grupo Desvio chega ao centro histórico de Florianópolis. A ocupação coletiva e efêmera com 12 artistas acontece dia 26 de julho, com saída às 9h30 na Praça Pereira Oliveira

Por Luciana Florenzano Publicado em 23 de julho de 2025 Notícias 3 min de leitura
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exposição infiltração-laguna-foto-divulgação

Exposição Infiltração, foto da primeira edição em Laguna. Divulgação

Infiltrar-se.

Condição daquilo que se introduz aos poucos ou que se espalha devagar. Despercebido até se tornar to-tal-men-te visível.

Infiltrar-se.

A potência daquilo que começa imperceptível e depois se torna indispensável.

Infiltrar-se.

Como o tempo, como as dúvidas, como a arte.

Aliás, vamos nos infiltrar ou somos nós que já estamos infiltrados?

Após sua primeira edição em Laguna, a exposição Infiltração chega agora ao centro histórico de Florianópolis em sua segunda edição, reunindo doze artistas em uma ocupação coletiva e efêmera no espaço urbano. Com curadoria de Kamilla Nunes, Infiltração propõe uma série de instalações e performances, operando como portais para imaginar outros modos de ver, habitar e sentir o mundo.

Como uma água subterrânea, que reaparece longe da nascente, Infiltração é uma instalação artística que se inicia como um percurso coletivo e se espalha em vários pontos pelo centro histórico de Floripa. Mas, se em Laguna a exposição revelou o patrimônio como palimpsesto e disputa, em Florianópolis, os trabalhos se inserem em uma cidade marcada pela tensão entre a imagem que quer mostrar e a imagem que está sendo apagada.

Nesse cenário de uma cidade marcada por contradições entre o histórico e o turístico, entre o apagamento e a permanência, Infiltração não quer disputar território com slogans ou criar mais espaços de consumo. A exposição artística parte de um impulso comum: a arte como forma de entender as camadas de uma cidade. Alguns artistas dialogam diretamente com a história do lugar; outros propõem desvios oníricos, experiências sensoriais ou narrativas íntimas. Em comum, os trabalhos desta exposição infiltram-se no tecido do centro histórico como sinais, discretos ou radicais, de que outros mundos são possíveis. A arte, aqui, não se apresenta como solução. Mas como campo. Campo de perguntas. Campo de trocas. Campo de invenção. Infiltração quer abrir espaço, abrir tempo, abrir possibilidades. Cada trabalho é um microuniverso novo por onde o mundo pode ser revisto. Ou reinventado.

Vamos então deixar a arte nos infiltrar?

No dia 26 de julho, às 9h30, Infiltração se espalhará em ruas, calçadas, praças e construções históricas da capital catarinense, convocando o público a experimentar a cidade com outros olhos.  Porque no fundo, a arte não serve apenas para ser vista. Ela serve para fazer ver. E se tudo está em disputa, o patrimônio, a memória, a rua, o tempo, então que a arte se infiltre. Que suba pelas paredes e para nossas cabeças. Que a arte revele. E que assim, a arte sustente aquilo que não pode desmoronar.

OUTROS TEXTO DE LUCIANA FLORENZANO

Exposição Infiltração

Curadoria: Kamilla Nunes

Centro Florianópolis

Saída 9h30 na Praça Pereira Oliveira

Artistas:

Ana Carolina Lima

Anamaria Brüggemann

Camila Saavedra

Diane S.

Gianella Riephoff

Katia Véras

Laïs Krücken

Leticia Villafañe

Luciana Florenzano

Pedro de Miranda Lisboa

Rau

Sara Ramos