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Exposição une ícones bizantinos e arte contemporânea

Eikonóstasis: um olhar para além do visível revelao a produção da Escola de Iconografia São João Damasceno, em Florianópolis.

Por Redação Publicado em 29 de outubro de 2021 Notícias 4 min de leitura
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A Exposição Eikonóstasis – Um olhar para além do visível, que acontece na Helena Fretta Galeria de Arte, procura deslindar a riqueza das iconografias feitas a partir da técnica Russa Bizantina de Andrei Rublev, apresentada pela escola de Iconografia São João Damasceno, em Florianópolis (SC). Além de exibir os ícones bizantinos, a exposição procura abordar seu processo de construção e santificação, bem como suas reverberações na arte contemporânea catarinense. Por isso, além da produção da escola São João Damasceno, a mostra apresenta uma leitura do tema nas obras dos artistas Cássia Aresta, Fernando Lindote, Juliana Hoffmann, Rodrigo de Haro, Rubens Oestroem Sara Ramos e Vera Sabino. A provocação foi dos jovens estudantes de Artes Visuais da UDESC e curadores Kethlen Kohl e Luciana Knabben, com a participação do co-curador Andrey Parmigiani.

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Curadoras Luciana Knabben e Kethlen Kohl, e co-curador Andrey Parmigiani.

O termo iconografia deriva do grego eikon, imagem, e grafia, escrita. A escritura do ícone é realizada seguindo os cânones aceitos pela Igreja do Oriente. Os cânones tradicionais envolvem a sequência de processos na atualização de uma grafia (desenho), em que gestos e simbologia de cada figura são representados. O ícone, uma vez consagrado, vai além de suas técnicas e torna-se uma janela para o invisível.

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Padre Luiz Harding Chang, da Escola Iconografia São João Damasceno, em Florianópolis.

A exposição é construída a partir do conceito de Eikonóstasis que significa “o lugar do icone”. Cada Igreja do oriente tem uma parede cheia de ícones, a Eikonóstasis, que separa a nave onde ficam os fiéis do santuário. Pensando em uma configuração própria de ícones, a exposição é dividida em três partes que se conectam com a temática do ícone: Imagens do Invisível, Iconografias em processo e Sala dourada: uma relação com o visível.

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A técnica bizantina russa data do século XIV, é realizada com tempera de gema de ovo peneirada, vinho branco seco e pigmentos puros, de natureza mineral (terras, pedras e metais), vegetal e animal. A base é de madeira como cedro, carvalho, bétula, tília). Uma das etapas é a aplicação de ouro 24 quilates em folhas.

A nobreza dos ícones fascinou diversos artistas desde a virada antropocêntrica, que vão de El Greco a Picasso. A relação de suas obras com o ícone, se constitui a partir do uso da técnica, cor, forma e as características do cânone na figuração dos santos. Pensando a partir desses deslocamentos possíveis através dos meios visíveis, a exposição também traz a arte contemporânea como forma de relação com essa técnica tão antiga. Os artistas selecionados apresentam obras e processos que dialogam, desviam e se movimentam nesse campo visual e conceitual com suas particularidades.

 

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Ícone do Cristo Pantokrator é o primeiro trabalho que um iconográfico deve aprender a fazer na escola.

Além da exposição, este projeto tem como objetivo divulgar a Escola de Iconografia São João Damasceno, que é dirigida pelo Padre Luiz Harding Chang, que é também professor de iconografia e a professora Mestra Iconógrafa Rosalva Trevisan Rigo. O curso é organizado como um retiro espiritual que envolve oração e trabalho (ora et labora). Tal como o trabalho de tradução de um texto bíblico (grego ou hebreu) para as línguas modernas, tal é o iconógrafo ao escrever o Ícone: ele simplesmente atualiza a Palavra revelada em cor e forma. Não cria, mas segue fielmente o modelo que contempla. Nesse espírito, o aluno participa e aprende todos os passos para a realização de um Ícone, que não busca ser uma fotografia ou pintura do santo representado, mas um Ícone da pessoa Cristificada.

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OUTRAS EXPOSIÇÕES NA HELENA FRETTA

Parte dos lucros da exposição será revertida para a Escola mantida pelo Mosteiro Santo Ivo que oferece oportunidade de aprendizado para pessoas carentes.

 O que: Exposição Eikonóstasis – um olhar para além do visível

Quando: de 29 de outubro a 20 de novembro de 2021

Local: Helena Fretta Galeria de Arte

Visitação: de seg. a sexta das 10hs às 18:30h e sábados das 09hs às 13h.

Rua Presidente Coutinho, 532 Centro – Florianópolis

Contato: (48) 3028-2345/ 98408-234

Fonte: textos dos curadores.