Sobre a caminhada cultural “Quem decide o que deve ser lembrado?”, que integrou a programação da Maratona Cultural 2026. A ação foi uma realização da jornalista Simone Bobsin em parceria com o IAB/SC com convidados: Luciana Paulo Corrêa e Leilah Corrêa Vieira, diretoras da Fundação Hassis; Luciana Florenzano, coordenadora do Grupo de Trabalho Patrimônio do Instituto dos Arquitetos do Brasil-SC; Marília Gabriela de Oliveira, arquiteta, Conselheira Titular de Patrimônio Material, no Conselho Municipal de Políticas Culturais FLN; Rodrigo Gonçalves, arquiteto e artista, representando a Associação Catarinense de Artistas Plásticos (Acap) – arquiteto e artista Rodrigo Gonçalves; e Caroline Schneider Lucio, engenheira da equipe do Grupo Duo.
Se em algum momento do dia de sábado, dia 21 de março, a insegurança colocou em dúvida a realização deste encontro, ela logo desapareceu. Sim, eu sofro — cada vez que proponho, organizo, curo e reúno pessoas em torno do desejo de refletir e debater sobre a cidade. Mas a gente precisa. Muito.
E essa dúvida se dissipou pela razão mais poderosa de todas: as pessoas. Mais de 50 decidiram sair de casa para caminhar — pouco, mas subindo ladeira, ao meio-dia, debaixo de sol — para escutar, falar e pensar sobre a nossa cidade.
Foi lindo, forte, necessário!
Obrigada!
Deixo registrado aqui também a escolha infeliz da construtora: mesmo avisada da ação, manteve a obra completamente fechada e não abriu o tapume para que as pessoas pudessem ver. Desculpem por isso.
Falamos muito.
Sobre respeito e descaso.
Sobre repertório e falta de cultura.
Sobre alvarás incompletos e políticas públicas.
Sobre transparência e participação cidadã.
Sobre o apagamento do COMAP (Comissão Municipal de Arte Pública) e sobre método.
Mas também falamos de oportunidades e de potência de mudança.
A derrubada do Mural do Hassis pela Placon Empreendimento gerou mobilização e isso importa.
A ação das filhas do artista, Luciana e Leilah, (diretoras da Fundação Hassis), junto à construtora e à prefeitura, trouxe resultados: o restauro da obra completa será realizado, e a parte frontal do painel foi autorizada a permanecer no local — mesmo com as exigências de recuo do novo Plano Diretor. O documento foi assinado na semana passada.
Já a obra da Praça Osvaldo Bulcão Viana também receberá manutenção, a partir da adoção do espaço por uma construtora.
A intenção das caminhadas é essa: fomentar o debate e jogar luz sobre temas urgentes.

Nesta edição, criamos duas hashtags para ativar outras frentes de luta:
#leihassis — para incluir nos alvarás de demolição critérios sobre a existência de obras de arte nas edificações (proposta levada pelas filhas do artista à prefeitura);
#voltacomap — para reativar a Comissão de Arte Pública, conforme previsto em lei, e que já foi referência nacional no tema.
No fim, a pergunta continua ecoando: quem decide o que deve ser lembrado?
Agradecimento especial ao fotógrafo Fernando Willadino pelas belas imagens da caminhada.







































