Loja Studio Ambientes abre exposição Manifesto CASA sobre TERRAcota
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Loja Studio Ambientes abre exposição Manifesto CASA sobre TERRAcota

“Manifesto Casa sobre TERRAcota” é um projeto que propõe refletir sobre temas da contemporaneidade e ganhou espaço na loja Studio Ambientes. Os arquitetos Juliana Pippi, Marcelo Salum, a dupla Tais Marchetti e Giovani Bonetti e Roberta Zimmermann Buffon foram convidados para criar narrativas nos ambientes com base em quatro assuntos: NON GENDER – Abra a janela, deixe fluir; Global/Local – O corpo é a fronteira; Descarte/Reúso – Ressignificação em tempo de excesso e escassez; e Cyber, Uber, Hiper – A projeção do que (não) somos.

“A casa é abrigo, é refúgio, também resposta. Foi nesta linha de pensamento que criamos este projeto, que joga luz a conteúdos essenciais para estimularmos a conversa, e que inspirou os profissionais na composição dos ambientes, aqui chamados de manifestos. Os espaços foram produzidos com total liberdade de expressão”, explica Maria Tereza Vanelli, lojista à frente da Studio Ambientes. 

A arquiteta Juliana Pippi assumiu o território do não gênero e abriu a janela para deixar fluir os sentimentos desprovidos de julgamentos e caixas. “Este tema tem que ser discutido. As pessoas têm que incorporá-lo nas suas vidas. No espaço o NON GENDER está representado pela pluralidade de cores, pelas formas do mobiliário e a não geometria. Meu ponto de partida na criação foi o tapete, trabalhei como uma base de pensamento, e por meio da peça desenrolei a ideia dos polos opostos: o feminino e o masculino, o preto e o branco. Entre eles há uma gama de outras possibilidades, como um espectro de cor. Nesta transição de matizes, o laranja pode ser laranja, ou amarelo, ou terracota, ou ainda terra. Depende da sensibilidade do olhar e de quem se permite enxergar. O mobiliário também traz formas mais delicadas contrapondo os traços retos e absolutos. Fica o questionamento: é necessário rotular sempre as coisas, as pessoas?”, explica. 

Marcelo Salum dilui a distância entre o Global/Local posicionando o corpo como não fronteira. “É um tema atemporal, desde que a humanidade existe, o corpo é fronteira/matéria/passagem para a espiritualidade. A proposta foi olhar para dentro, e tentar se libertar desta fronteira. No espaço o corpo é o centro da atenção de tudo. Evidencio essa dualidade, entre o Global e o Local, como uma oportunidade para aumentar a percepção”. 

Viver com menos e mais consciência é uma atitude urgente. A dupla do escritório Marchetti + Bonetti Arquitetura, Tais Marchetti e Giovani Bonetti, trouxe para a cena do manifesto “Descarte/Reúso – Ressignificação em tempo de excesso e escassez” a arte telúrica e tridimensional da artista Clara Fernandes. Para os arquitetos a opção por poucos móveis sustenta a ressignificação em tempo de escassez numa composição marcada pelo reutilização de materiais nas obras e tecidos que revestem o mobiliário. 

“Levamos a sério o conceito de reaproveitamento e usamos a criatividade no desenho de um conjunto de mesas de centro com estrutura em aço inox fornecida pela Studio Ambientes e tampos feitos com sobras de mármores da Pedecril. Uma prova de que é possível obter resultados de alta qualidade direcionando o uso de materiais que estariam fadados ao descarte. Também trabalhamos com as peças de Domingos Tótora, em papelão reciclado, e a obra tridimensional da Clara, reforçando o pensamento de sustentabilidade”, comentam os arquitetos.

Roberta Zimmermann Buffon critica o uso intenso da tecnologia, especialmente, nos espaços urbanos. As cenas de casais plugados no celular, mães e filhos conectados às telas dos seus computadores móveis deixando a vida passar lá dentro e lá fora. Isolados no seu mundo particular, seu mundo tecnológico paralelo. “As pessoas preferem ver as imagens da vida real numa telinha de celular e IPAD enquanto estão fotografando, filmando, ao invés de ver ao vivo. Então eu penso: O que é mais importante? Capturar essa imagem num produto tecnológico ou capturar a imagem no coração, que com certeza não é a mesma emoção. Então a minha crítica é essa. No espaço temos a cena de um jantar, fazendo alusão a uma paisagem de Florença como janela, a plotagem com a brincadeira da selfie. Bolamos um cenário com dois modelos vestindo máscara, um fator bem importante numa sociedade que se retoca no photoshop, que se edita. Em tempos de filtros, a máscara é uma menção a essa pessoa que está sempre se escondendo atrás da perfeição”, detalha. 

A exposição “Manifesto Casa sobre TERRAcota” está aberta para visitação do público até a primeira semana de setembro, na Studio Ambientes, no Shopping Casa & Design, em Florianópolis(SC). O projeto tem concepção e fotografia da A CASAA e terá desdobramento nas páginas da quarta edição da Giz Brasil.